IMPORTÂNCIA DO EXERCÍCIO FÍSICO NA GESTAÇÃO E CONTROLE DA OBESIDADE

Existe, hoje, um aumento no número de mulheres grávidas praticantes de exercício físico, porém, faz-se necessário que esta atividade seja realizada de maneira segura, estruturada e prescrita de acordo com o nível de condicionamento da gestante. Há alguns anos falava-se de possíveis riscos à saúde do feto por motivo da prática dos exercícios maternos. Dados preventivos também eram considerados, como, estabelecer o treinamento apenas a partir do terceiro mês de gestação. Contudo, foram realizadas algumas pesquisas as quais encontraram resultados satisfatórios no sentido dos benefícios da atividade da gestante desde o início da gravidez para as mães saudáveis, inclusive, após o nascimento do bebê.

O exercício físico planejado na intensidade adequada proporciona benefícios consistentes, diferentemente da prática planejamento e em alta intensidade, os quais podem apresentar danos à saúde da gestante e ao desenvolvimento fetal.

Durante a gestação, as mulheres apresentam algumas modificações músculo-esqueléticas, como por exemplo, rotação nos ossos do quadril causando uma curvatura acentuada na coluna lombar, além de encurtamento na parte posterior das coxas e pernas, ocasionando fortes dores. Estudos demonstraram que a prática regular de exercício proporciona melhora na flexibilidade, alívio das dores lombares, atividade circulatória e mobilidade articular.

O exercício aeróbio auxilia de forma significativa no controle do peso e na manutenção do condicionamento, além de reduzir riscos de diabetes gestacional, condição que afeta 5% das gestantes. A ativação dos grandes grupos musculares propicia uma melhor utilização da glicose e aumenta simultaneamente a sensibilidade à insulina. Os estudos também demonstraram que a manutenção da prática regular de exercícios físicos ou esportes apresenta fatores protetores sobre a saúde mental da mulher, tanto durante quanto após a gravidez. Além disso, existem dados sugestivos de que a prática de exercício físico durante a gravidez exerce proteção contra a depressão.

No que diz respeito ao controle de peso, durante e após a gestação, o exercício físico associado com uma alimentação adequada são indispensáveis.

Em um estudo com aproximadamente 1000 mulheres, foram encontrados dados referentes às chances que as mulheres sedentárias tinham de se tornarem obesas após gravidez. Para as que encontravam-se entre a segunda, terceira ou mais gestações, apresentaram oito vezes mais chances de se tornarem obesas em relação ao grupo de mulheres que estavam na primeira. As mesmas chances acontecem com mulheres que engravidam após os 35 anos quando comparadas com mulheres entre 24 e 34 anos. Também foram observados dados nos quais o aumento de peso pós-parto estivera associado ao excesso de peso durante a gravidez.

O exercício poderá ainda ter um papel importante no que se refere ao aleitamento, uma vez que o excesso de peso e a obesidade estão associados a uma menor duração da amamentação.

Todas as mulheres que não apresentam contra-indicações devem ser incentivadas a realizar atividades aeróbias, de resistência muscular e alongamento. As mulheres devem ser inseridas em atividades que apresentem pouco risco para perda de equilíbrio e desenvolvimento de traumas. O trauma direto ao feto é raro, entretanto, é prudente evitar esportes de contato ou que possuem alto risco de colisões.

Contra-indicações absolutas Contra-indicações relativas
Doença miocárdica descompensada
Insuficiência cardíaca congestiva
Tromboflebite
Embolia pulmonar recente
Doença infecciosa aguda
Risco de parto prematuro
Sangramento uterino
Isoimunização grave
Hipertensão essencial
Anemia
Doenças tireoidianas
Diabetes mellitus descompensado
Obesidade mórbida
Histórico de sedentarismo extremo

Com base em pesquisas na área de exercício e gravidez, o Sports Medicine Australia elaborou as seguintes recomendações:

• em grávidas já ativas, manter os exercícios aeróbios em intensidade moderada durante a gravidez;
• evitar treinos em frequência cardíaca acima de 140 bpm. Exercitar-se três a quatro vezes por semana por 20 a 30 minutos. Em atletas é possível exercitar-se em intensidade mais alta com segurança;

• os exercícios resistidos também devem ser moderados. Evitar as contrações isométricas máximas;
• evitar exercícios na posição supinada;
• evitar exercícios em ambientes quentes e piscinas muito aquecidas;

• desde que se consuma uma quantidade adequada de calorias, exercício e amamentação são compatíveis;
• interromper imediatamente a prática esportiva se surgirem sintomas como dor abdominal, cólicas, sangramento vaginal, tontura, náusea ou vômito, palpitações e distúrbios visuais;
• não existe nenhum tipo específico de exercício que deva ser recomendado durante a gravidez. A grávida que já se exercita deve manter a prática da mesma atividade física que executava antes da gravidez, desde que os cuidados acima sejam respeitados.

REFERÊNCIAS

LIMA, Fernanda R.; OLIVEIRA, Natália. Gravidez e exercício. Rev Bras Reumatol, São Paulo, v. 45, n. 3. Mai. 2005. pp.188-190.

RAQUEL GOUVEIA et al. GRAVIDEZ E EXERCÍCIO FÍSICO – Mitos, Evidências e Recomendações. Acta Med Port 2007; 20: 209-214

GILBERTO KAC. Fatores Determinantes da Retenção de Peso no Pós-parto: Uma Revisão da Literatura
Serviço de Atendimento ao Profissional – Trabalhos CientíficosArtigo de revisão publicado nos Cadernos de Saúde Pública v.17 n.3 Rio de Janeiro maio/jun. 2001

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