AUTOCUIDADO & IMAGEM CORPORAL

A perspectiva do autocuidado abrange e ganha nos dias atuais, um novo olhar sobre a saúde, indo além do que seria a busca por um corpo “perfeito”. Nesse sentido, quebra-se paradigmas, propicia-se recursos que resgatem a qualidade de vida da população de forma eficaz e sistêmica. A tecnologia pode sim somar à vida, se for utilizada de forma correta, principalmente com responsabilidade e ÉTICA por profissionais habilitados e qualificados.

Entretanto, o que um homem faz, pensa e sente não acontece isolado do convívio com outros seres. Tudo se passa numa relação, de cada pessoa historicamente inscrita, consigo mesmo e com a sociedade. No caso de cada paciente assistido, independente da patologia, as pessoas que o cercam como: família, grupos sociais exercem um processo de interdiscurso e de interação, vão fazendo acontecer uma história marcada pelo modo como se dá, em cada um, a percepção de si mesmo, da sua imagem corporal e do outro, e a partir da qual nascem discursos, vozes em diálogo, entrecruzados, carregados de cobranças, estigmas, e exigências que resultam na percepção de si, muitas vezes de forma equivocada.

Sabemos que a Imagem Corporal precisa estar em homeostasia, e se ela não se encontra em equilíbrio, o ser humano pode sim vivenciar grandes sofrimentos, como: psicológico, corporal e social, que culminam muitas vezes em sentimentos de impotência, de menos valia, pela imagem corporal incompatível ao desejo ou busca de cada um. Que despersonaliza não só o ser psíquico, mas um sujeito que necessita se sentir inserido e incluído em si mesmo, numa sociedade que supervaloriza a perfeição corpórea, cujas exigências perpassam a singularidade de cada pessoa.

Há dores que não se mostram e ficam latentes (escondidas) de forma camuflada, no âmago intrínseco de cada pessoa. Entrar em contato com o sofrimento latente é uma tarefa complexa, de difícil entendimento, que coloca cada paciente de frente ao espelho existencial, aos seus conflitos reais e muitas vezes desconhecidos. Por isso, a necessidade de suporte PSICOLÓGICO e PSIQUIÁTRICO!

Nesse sentido, é necessário observar o que acontece de dentro para fora, no EU que não é verbalizado, mas sentido e como está a percepção sobre a IMAGEM CORPORAL de cada um? Sei o significado de DISMORFIA? Palavra talvez de difícil entendimento, porém resultante de um transtorno psicológico que está relacionado com uma falsa percepção da própria imagem. É também conhecida como síndrome da distorção da imagem ou transtorno dismórfico. Os pacientes que sofrem desse distúrbio não possuem uma visão real sobre a sua imagem, caracterizando grande insatisfação com sua estética corporal e/ou facial. Desta maneira, tudo pode implicar em grandes sofrimentos, principalmente quando o paciente apresenta expectativas não realistas, como no caso do transtorno dismórfico em que a pessoa possui uma visão distorcida da sua imagem, e pode vivenciar situações nocivas à saúde e a VIDA, necessitando assim de suporte de PSICOLÓGICO e muitas vezes PSIQUIÁTRICO para eficácia do tratamento a ser proposto para assim se restabelecer oEQUILÍBRIO!

É necessário ir além, e compreender o lado oculto de cada ser, não esquecendo nunca da sua complexidade e fragilidade diante da vida e das suas próprias experiências.

Lyssa Kaline Dantas de Góis
CRP 17-1846
Psicóloga Clínica & Hospitalar – Coordenadora Geral do Projeto ObesidadeHoje

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